Advogado do Diabo - Deau

Advogado do Diabo - Deau

  • Yayın yılı: 2020
  • Dil: Portekizce
  • Süre: 6:53

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" Advogado do Diabo " şarkısının sözleri

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Advogado do Diabo

Deau

Homens matam por um carro, roubam por agrado

À cara podre querem o mais caro

Inocente ou culpado, quem julga é julgado

Em tua defesa, advogado do diabo

Cresceste rápido no sitio onde é clássico, consumo e o tráfico

A classe operária dá o máximo e não sai do básico

Queres algo prático, o sistema é sistemático

Quem 'tá bem na vida tem coração do Ártico

Navalhas e balas, mochilas e malas

São eles que te criam e não querem represálias

Discriminam-te pelo calão que falas

Leva-me contigo para as salas de sentença

E manda entrar o homem que te fez e não marcou presença

Desde a infância que hoje em dia pensa

Que não teve importância no teu crescimento

E nos processos que te acusam no teu julgamento

Fá-lo recuar atrás no tempo

Fala do momento em que burlou o cupido com o sentimento

De amor da tua mãe, por sexo gratuito

Pergunta-lhe se também se lembra disso

É que não te sai da cabeça o corpo da mulher

Que não dispensa horas extras para encher a despensa

Falta de condições que um pai ausente não compensa

O desacompanhamento gera a convivência

Com as más companhias do sítio mais propício

A filhos de pais que não cumpriram com o ofício

Todo fim tem um princípio, este pode ter sido o teu início

Não te esqueças que ele tem de pagar por isso

Manda entrar agora a professora da primária

Que pelo teu aspeto te sentou na secretária

Mais longe do quadro e quando eras chamado

Vias que ela só ria a quem ia bem apresentado

Eras o miúdo do canto da sala

Que ela fazia questão em ser o burro da aula

E não se apercebia que requerias mais atenção

O tempo com o destino, a tua mãe tinha noutra profissão

Para pagar os instrumentos da tua instrução

Diz-lhe agora que não era a tua intenção

Seres o puto mais reguila, o mau exemplo da turma

Os trabalhos de casa não os fazias quase nenhuma vez

Porque vês a tua mãe desde o coiro

Chegar para lá das 9 com o corpo feito num 8

E aprendeste a ler-lhe o pensamento em vez do livro de leitura

a vida dura quanto?

A matemática?

Que se fodam as contas

Subtraíste o ordenado em troca pelas compras

Dividiste por dois o que na travessa encontras

E somaste os trocos para sonhar atrás das montras

A falta de passes fez com que não passes de classes

Na secundária até que bazes da escola e passes

Mais tempo nas áreas com condições precárias

Ela é culpada das tuas más habilitações literárias

Manda entrar o patrão do teu primeiro trabalho

Que por não seres licenciado não te paga um caralho

Explora-te num ambiente sem higiene e segurança

Onde acidentes diminuem a esperança média de vida

Merda de vida, devido a quem vive p’ra além

Da expectativa, sem se importar com ninguém

Só lhe interessa se tem bens encetados

Casas e carros e não investe em métodos mais avançados

E ergonómicos porque estes não são económicos

Enquanto no resto da Europa evoluí a indústria

Na competição económica, a mesma música

Abre falência, preocupações deles é única

Se a família do patrão assegura a geração

Então as 50 ou 100 que estão no desemprego

Terão que ter paciência, todos os dias o mesmo

Anos de experiência são algo obsoleto

P’ra quê ter um trabalho honesto se o estado não motiva?

Patrão tem um Mercedes, tu deves na mercearia

Os ordenados são menores p’a quem tem gasto de energia

Trabalha com posições impróprias, toda la vida

Em ambientes poluídos gastam reformas em farmácias

Têm problemas cancerígenos, ele é o culpado por tu seguires

O sentido, não te pagou o que devia, mas fá-lo pagar contigo

Se comprares um topo de gama

Vais ter ao teu lado uma granda dama

Se baixares a capota ao passar na zona

Elas vão baixar as calças, não vai faltar cona

Se comprares a roupa do crocodilo

Todo o porteiro vai sentir o estilo

Vais entrar na discoteca sem problema

Eles fazem-te querer que tu não és a mesma

Pessoa sem bens materiais, manda entrar esses tais

Genes persuasivos com campanhas comerciais

E compostas discriminações sociais

São eles que fazem com que um homem num carro

Seja mais bonito

Com que só quem tem um vestido entre num certo sítio

Como tu se não fores como eles te sintas constrangido

De olhos como pobres e os olhos como ricos

São eles que te fazem sentir tudo isso

Com que miúdas não te prestem atenção

Enquanto não passares na zona a bombar som

Dentro do carro mais caro do mercado e que és o rei do gado

Se entrares nas lojas e vestires como o Ronaldo

Fazem-te sentir vergonha e ser menino de abraço

E os filhos deles não podem brincar com os da tua raça

Valores interiores são tretas p’a eles

Pessoas valem por quantias de etiquetas

Não percas a postura de menino do bairro

Olha-o nos olhos e fá-los sentir o que é pagar caro

Agora vira-te para esse magistrado

E diz-lhe assim: «Escute, meu caro

Não olhe desse jeito p’a mim

Vossa excelência nunca quis este fim

'Tar aqui sentado a ser acusado de ter traficado

E de ter roubado

Você não sabe o quanto é complicado

Ver uma mãe dar o máximo com o ordenado mínimo

Não ter quem me educasse para ter um comportamento exímio

Ser posto de lado como se não fosse digno

De desfrutar da vossa estrutura de ensino

Não sabe o que é ser gozado pela sua aparência

Nem o que é só ser respeitado se recorrer a violência

O que é dar o corpo num posto de emprego

Para chegar ao fim do contrato e 'tar tudo no mesmo sítio

Diga-me, se você sabe o que é que é isso

Entrar numa loja a ser acompanhado desde o inicio

Estar à porta de uma discoteca e não ter entrado

Somos todos iguais, então porque é que põem de lado?

Se é o interior que conta, porque é que filhas como a sua

Só me riram quando me viram num bom carro a passar na rua?

Tem fotos minhas a vender produto no bairro

Porque é que também não tinham quando eu era puto num quarto

A brincar com bonecos todos partidos

A tentar perceber porque é que não era como os meus amigos

Em vez de estar a ler o meu currículo

Diz a professora que mal me ensinou antes do ciclo

Em vez de 'tar a contar os anos de pena que o vosso sistema legislou

Me visse a contar trocos que o meu patrão me pagou

Em vez de perguntar que fazia branca na mesa

Pergunte-me o que sentia quando não tinha nada na mesma

Pergunta: porque é que a garagem tem matrículas?

Pergunte: porque é que após o 9º não tenho mais matrículas?

Pergunta: Se eu matei alguém com tec-9's

Pergunto: Como é que eu quase morri nos andaimes?

Para si, isso não lhe interessa, é

Por isso todos os dias a mesma conversa, é

Os putos da periferia a fazer porcaria, eu também preferia

Não ter seguido a simetria

Mas assim teria que me sentir à parte da minoria

Que o vosso sistema cria

Parte da maioria suburbana

É movida pela primazia humana, dinheiro luxo e fama

Que atrai drama

Atribua-me a pena, não tenha pena de mim

Dê-me a sentença que o sistema tem como certa p’ra mim

Que eu cumpro até ao fim, que assim seja

Mas faça pagar quem fez com que, assim seja

Porque enquanto houver altos e baixos

Putos vão vender hax e achar os carros

Mais suscetíveis para serem desmontados

Até crescerem e ouvirem noutros lados

Carrinhas de valores e branca com tanta e tanta

Gente vai querer ter o que não precisa

O vosso sistema cria marginais, ao fim ao cabo

Porque nos marginaliza

Inocente ou culpado, quem julga ou é julgado

Em tua defesa, advogado do diabo

(Em tua defesa, advogado do diabo)

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